Uma tarde de troca de aprendizados e experiências. Assim foi a segunda edição do vivênciAAI, realizado pela Associação de Arquitetos de Interiores do Brasil/RS (AAI Brasil/RS). Palestras, apresentação de projetos e uma dinâmica de constelação familiar foram os destaques do evento, que teve como tema a Arquitetura Requalificada. Um público de 50 pessoas, na maioria arquitetos e urbanistas e estudantes da área estiveram na Casa da Confraria, em Porto Alegre, para prestigiar o evento, realizado no dia 25 de junho.
O arquiteto e urbanista Cesar Floriano, de Santa Catarina, deu início ao evento trazendo quatro conceitos: renovação, revitalização, reabilitação e requalificação. O primeiro, conforme explicou Floriano, teve o seu auge no pós-guerra, quando os espaços urbanos eram renovados em nome da modernidade. Logo depois, com o existencialismo, a Arquitetura passou a ser pensada com a ideia de que os espaços precisavam ter identidade, assim como as pessoas. “Com isso, também passamos a levar em consideração a memória na cena urbanística, já que os lugares carregam as experiências e vivências de todos que passaram por lá. Com isso, a renovação passa a ser revitalização e reabilitação”, esclareceu o profissional. “Também passamos a falar sobre o lugar, como um espaço qualificado de vivências e memórias. Com a participação da comunidade, a partir daí, os edifícios passam a ter identidade e em respeito ao lugar onde serão construídos”, completa.
Floriano apresentou projetos de melhorias locais desenvolvidos por ele, sua equipe e em parceria com outros profissionais e escritórios de Arquitetura da cidade. O destaque foi o Parque Linear do Córrego Grande, espaço que agora conta com cinco quilômetros de grande corredor de área verde de lazer que margeia o córrego, executado em etapas, sendo que apenas algumas estão concluídas no momento. Outra iniciativa em andamento é o projeto de requalificação urbana da Praça da Alfândega e entorno do Mercado Público, no centro de Florianópolis. O projeto conta com investimento do IPHAN, no âmbito do PAC Cidades Históricas. Iniciadas em agosto do ano passado, as obras deverão ser concluídas em outubro deste ano.
A segunda exposição foi das arquitetas e urbanistas Claudia Titton e Tais Lagranha, da Illa Arquitetura. As profissionais apresentaram o case do Bar Agulha, localizado no 4º Distrito, em Porto Alegre. Claudia explica que o conceito de requalificar também está ligado com o de sustentabilidade, tanto econômica como ambiental, pois aproveita estruturas existentes a condição social, pois leva em consideração a movimentação das pessoas. Sobre o projeto do Agulha, a dupla explicou que a primeira etapa foi encontrar o lugar certo para a execução. “Estávamos buscando espaços com identidade. A tipologia também era específica, pois precisava ser algo com a ideia de um galpão, mais industrial”, explicou Flavia. Após uma longa pesquisa, elas chegaram ao 4º Distrito. “Na primeira visita já decidimos que aquele seria o cenário perfeito. O próximo passo foi chamar profissionais parceiros de diversas áreas, como design e produção cultural, por exemplo, para auxiliar a montar o processo de projeto”, esclareceu Claudia.
Segundo as arquitetas, o Bar Agulha foi o “gatilho” para outros movimentos de revitalização que já estão acontecendo no 4º Distrito. “Ficamos muito felizes, pois uma das intenções com a escolha do local foi justamente gerar esta movimentação e levar o público que não conhecia o bairro e agora passou a frequentar”, destaca Claudia. Outra curiosidade levantada pelas profissionais é a origem do nome do local. “Foi escolhido agulha, pois de alguma forma furava as bolhas existentes em Porto Alegre, pois é um espaço democrático, aberto a todos os gostos e tipos de pessoas”, ressaltou Flávia.
A última etapa do vivênciAAI foi dedicada a uma experiência de constelação familiar. A psicóloga Adriane Amaral, conhecida como Arati, convidou o público a vivenciar a dinâmica na prática. Todos os participantes foram inseridos na atividade e um grupo de oito pessoas se dispôs a viver o chamado campo constelar, revivendo lembranças e trocando energias. Segundo Arati, a prática que já é usada no Direito, também pode ser aproveitada na Arquitetura, pois na maioria das vezes os trabalhos e os clientes vêm carregados das histórias de vida.
Próximas edições
Até o final do ano, o projeto vivênciAAI vai abordar assuntos diversos de interesse de profissionais e acadêmicos. Os temas das próximas edições são: Arquitetura Abrangente, considerando soluções humanizadas e saudabilidade na edificação e Arquitetura Possível, abordando áreas de atuação economicamente viáveis. A atividade é gratuita para arquitetos e urbanistas e estudantes da área.
O vivênciAAI conta com o patrocínio do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do RS (CAU/RS) e apoio de Saergs, IAB-RS, AsBEA/RS, Sindividros e QG Assessoria de Imprensa & Relacionamento Digital. Nesta edição, contou também com parceria da Persol.
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Fotos: Cíntia Rodrigues | Divulgação AAI Brasil/RS










